sábado, 13 de abril de 2013

A HISTÓRIA SE REPETE.....

Em novembro de 2009, quando eu era o chefe da Equipe de Controle da Poluição Sonora, realizei fiscalizações no IATE CLUBE de Fortaleza e durante esta vistoria, episódios grotescos aconteceram. Abaixo faço a inserção de trechos do acontecido, retirado do livro Tolerância Zero em Fortaleza (paginas 139 a 142):



IATE CLUBE: ....Chegando ao local, solicitamos a presença dos responsáveis e para minha surpresa quem veio advogar a favor do Clube foi uma das autoridades mais influentes do poder público municipal na epóca, que perguntou o que estava acontecendo e informei sobre as denúncias e os níveis encontrados nos apartamentos dos denunciantes e que estava naquele momento autuando o estabelecimento e Embargando o mesmo e solicitei que os equipamentos sonoros fossem desligados. Então “ele” pronunciou uma frase bem curiosa: “O interesse que você tem que cuidar é o das pessoas que estão aqui dentro”??????? Fiquei pasmo com as palavras e retruquei de forma automática: “De forma alguma, a minha função é outra, é zelar pelo cumprimento da lei e zelar pelo sossego e tranquilidade dos cidadãos que tentam descansar para mais um dia de trabalho e não estão conseguindo”. Deste momento em diante “ele” tentou desfazer do trabalho da fiscalização ali postada, chegando inclusive a dizer que representava a Sra. Prefeita e que eu estaria contrariando diretrizes dela. Pensei: Será que estou??????? Disse que eu era uma pessoa difícil e intolerante e eu confirmei que sim e disse: “sabe por que sou intolerante e difícil? Porque não sou político como o seenhor, sou um técnico que zela pelo cumprimento da lei e que não aceito que ninguém desfaça de meu trabalho e de minha equipe.” “Ele” citou meu cargo de forma maldosa e eu imediatamente lhe disse: fique tranquilo, ainda nem fui nomeado oficialmente, estou gentilmente atendendo a uma pessoa séria que me pediu para ajudar a moralizar a cidade, o Sr. Deodato Ramalho. Em determinado momento ele olhou para mim e disse: “vou mandar a Prefeita aumentar seu salário e ordenar que você pare de nos atrapalhar.” Continuei pasmo, mas me mantive calmo e “ele’ continuou afirmando que eu estava errado e que não concordaria que o som fosse desligado, virou de costas e voltou ao interior do clube............
 
abril de 2013....a história se repete.....

Hoje fui surpeendido com a seguinte postagem em meu FACEBOOK, oriundo da página do fiscal e amigo Isídio Masccarenhas:
 
ATENÇÃO FISCAIS DA SEUMA: Venho através desse espaço democrático externar meu repúdio com o ocorrido nessa madrugada com o fiscal Josiel Gomes no clube Náutico Cearense. Em fiscalização na área da regional 2 (operação ronda) o Josiel foi chamado a fiscalizar o Náutico, aonde estava acontecendo uma festa. Ao proceder a medição e constatar 90dBA o mesmo parou a festa e começava a fazer os autos e a apreensão da mesa de som quando aconteceram os problemas: O Deputado Estadual Carlomanos Marques (pmdb) o mesmo que até bem pouco brigou com os Ver. John Montheiro e João Alfredo, furou a proteção do Ronda e Guarda Municipal e empurrou o fiscal Josiel, (agressão fisica) sendo contido por sua mulher senão a situação teria se complicado ainda mais. Muitas foram as ligações a nossa base (3452-6927) de pessoas tentando usar influência politicas para que não acabassemos a festa, contudo, meu posiciamento foi claro, HAVENDO PROTEÇÃO POLICIAL que garanta a segurança do fiscal a festa acabará e será executada a apreensão. Isso foi o de menos, o pior foi que algum tempo após o ocorrido apareceu no local um oficial por nome Major Lucildo que simplesmente ORDENOU que o Tenente responsável pela operação deixasse de nos proteger, além de PREVARICAR usou de sua patente para nos prejudicar deixando-nos na calçada somente com a proteção de dois bravos e competentes guardas municipais. Além do mais esse "Major Lucildo" mandou aumentar o som de novo, disse que nós éramos "fiscalzinhos de merda", "umas bostas da prefeitura" que servidorzinho de prefeitura lá pode mandar em nada que ele tinha 27 anos de farda. Os autos foram lavrados, a mesa infelizmente não foi apreendida face a lastimável PREVARICAÇÃO e abandono da polícia conosco, a festa não acabou, apesar de muita gente ter ido embora revoltada com o inicio da para lisação. Ao chegar quase 6 da manhã em casa comecei a pensar; Enfim, QUEM SOMOS NÓS? Fiscaizinhos de MERDA? Fiscais dos Ricos, pq a eles não podemos encomodar, autuando só o pessoal pobre da periferia? A quem servimos, pra quem servimos? espero que a AFIM e chefes superiores da SEUMA possam tomar providências, senão eu GARANTO daqui pra frente o nosso trabalho será comprometido.. Abraços



Fico pasmo com a qualidade de nossos politicos e de alguns dirigentes de nossa policia militar....as palavras de Isidio demonstram a fragilidade de nossas instituições e o descaso dos mesmos com os reclames de nossa população e com o problema relativo a POLUIÇÃO SONORA....é uma repetição grotesca dos episódios que passei...quando será que isso vai mudar? Com a palavra a senhora Secretária da SEUMA e o ilustre Prefeito de Fortaleza.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

LIVRO TOLERÂNCIA ZERO EM FORTALEZA


Já faz algum tempo que não faço postagens no BLOG, neste período estive concluindo um livro que me foi sugerido por amigos, quando de minha participação em dois congressos de acústica no ano de 2010: Salvador-Brasil (SOBRAC) e Sydney-Australia (ICA). Nestes congressos fiz uma apresentação mostrando como estava sendo feito o combate a poluição sonora em Fortaleza e quais eram os projetos para o futuro. Em Salvador, um baiano e um carioca que assistiram à palestra, fizeram grandes elogios e sugeriram um livro sobre o trabalho. Em Sydney, um sueco que presenciou minha apresentação, também sugeriu que eu fizesse um livro sobre aquele trabalho, mostrando-se muito curioso sobre o mesmo e a metodologia. Aceitando a sugestão, escrevi o livro e o nomeie com o título mais aplicável ao assunto: TOLERÂNCIA ZERO EM FORTALEZA, pois foi assim que ficou conhecido aquele período em que chefiei a ECPS (Equipe de Controle da Poluição Sonora), onde saímos de uma letargia em nosso trabalho e buscamos responder a ânsia da população por resultados mais práticos. O livro é um pequeno histórico deste período, mostrando como o trabalho evoluiu e com relatos dos principais confrontos, além de traçar um perfil do problema em Fortaleza e falar um pouco sobre a poluição sonora em sua essência. É um livro simples e com linguagem simples, mas feito com carinho, tendo como um de seus principais objetivos, mostrar que quando se aplica a lei com seriedade e o poder público se faz presente, a sociedade chega a um equilíbrio saudável.
O livro esta disponílvel no site da editora Premius(link abaixo), na loja da editora (Rua Antonio Pompeu, 1711-Centro) e provávelmente no dia 16 de março de 2013, haverá o lançamento na livraria Saraiva do Iguatemi (Fortaleza).
Link:

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

1º CONGRESSO MULTIDISCIPLINAR DE RUÍDO AMBIENTAL URBANO E RUÍDO AÉREO

Fortaleza foi sede do 1º CONGRESSO MULTIDISCIPLINAR DE RUÍDO AMBIENTAL URBANO E RUÍDO AÉREO.
Ele foi realizado na Universidade de Fortaleza, sendo projetado e efetivado pela UFC e UNIFOR, ocorrendo entre os dias 11 e 14 de setembro de 2012, tendo como principais mentoras as professoras Mary Lucia A. Correia (Geógrafa e Advogada -UNIFOR) e Conceição Aparecida Dornelas (Médica - UFC) e sendo formatado com base na luta de Hélio Rola (Médico, Professor e Artista) contra as situações de incômodo causado pelo ruído.
O congresso apresentou a presença de médicos, advogados, ambientalistas, engenheiros ambientais e acústicos, biólogos, fonoaudiólogos, urbanistas, pedagogos, autoridades juridicas, orgãos ambientais e a sociedade civil, discutindo os problemas decorrentes da poluição sonora quanto a seu impacto no homem e na sociedade, bem como seus aspectos jurídicos.
O evento possibilitou o aumento do leque de informações partindo de áreas distintas, aumentando e enriquecendo os conhecimentos de todos com informações em campos que tendiam a ficar um pouco distantes. A palavra de médicos que se aprofundaram na área da percepção humana em relação ao ruído, juízes e procuradores se aprofundaram nos aspectos legais, fonoaudiólogas mostraram as dificuldades do aparelho auditivo e da fala em relação ao ruído, arquitetos que relacionaram o problema com o desenvolvimento urbano, entidades públicas que mostraram seu trabalho e suas dificuldades em lidar com o tema, além dos aspectos educacionais e sociais mostrados pelo belo trabalho realizado pelo INAD.
As paletras foram repletas de boas informações, com demostrações do que anda sendo feito em relação ao problema, estudos e ate um exemplo de prática médica (implante coclear) foi levado ao congresso.
Foi feito o lançamento da CARTA ACÚSTICA DE FORTALEZA, mostrando os primeiros mapas concluidos e explicado todo o procedimento para execução da mesma, bem como lançado o site que divulgará os resultados à população:
www.cartaacusticadefortaleza.com
O professor Bento Coelho, como convidado internacional, falou dos problemas do ruído aeronautico e mostrou o que acontece na europa em relação ao tema.
A professora Dinara, presidente da SOBRAC, mostrou o panoramama da acústica no Brasil e o que a entidade vem realizando.
Outros técnicos fizeram explanações sobre os problemas relativos ao ruído, mostrando seus trabalhos e realizando explanações sobre temas solicitados pelo congresso. O prof. Stephan Paul ampliou os conhecimentos sobre o ruído aeronautico com sua palestra, a EMBRAER através do Dr. Carlos Moacir fez um relato sobre a tecnologia empregada na construção aeronáutica e o que as empresas estão fazendo para desenvolver aeronaves menos ruidosas. A parte jurídica foi muita enriquecida com as palestras do Dr. Marcos Mairton (Juiz Federal), Alessander W. Sales (Procurador Federal), que descreveu os procedimentos do Ministério Público Federal em relação ao processo contra o aeroporto, João Alfredo (Vereador e advogado), Dra. Sheila Pitombeira (Procuradora Estadual), entre outros.
Foi em uma destas palestras que tomei conhecimento do princípio "in dubio pro natura", que leva os conflitos normativos duvidosos, que sera sempre em beneficio ao meio ambiente. Deodato Ramalho falou de sua experiência como Secretário da SEMAM e fez uma abordagem sobre o ruído urbano em Fortaleza e Astrid Camara representou o atual Secretário da SEMAM, mostrando como anda a atuação deste orgão.
Outro tema muito importante que leva aos aspectos da conscientização do problema relativo à poluiçõ sonora, foram as paletras sobre o INAD (Dia Internacional de Conscientização Sobre o Ruído), onde aconteceram relatos sobre os trabalhos de 2012 e foi lançado o tema para 2013:
"QUEM COMPARTILHA O RUÍDO, COMPARTILHA PERIGO!"
Tema apresentado no congresso durante a apresentação da Professora Isabel Cristiane Kuniyoshi.
Foi nesta mesma mesa redonda, onde fui moderador, que as fiscais da SER V: Wanessa, Andréa, Monaliza, Sâmya e Daniela, realizaram uma ótima apresentação sobre o trabalho dos fiscais e sobre o que fizemos em relação ao INAD 2012. Nesta apresentação, as fiscais montaram uma apresentação com os alunos da Escola Professor Gerardo Milton de Sá (SER III), da Rede Municipal de Educação de Fortaleza, com enredo e coreográfia de Nitchia Brito e video integrado criado por Thiago, onde foi representando as emissões desregradas de ruídos no município e a repressão por parte da fiscalização. A apresentação foi muito aplaudida e conseguiu através da música, imagem e coreográfia, mostrar às pessoas presentes o impacto da poluição sonora em nossas vidas.
Ja participei de vários congresso sobre o tema, mas em nenhum obtive tantas informações que possibilitaram a apliação de meus conhecimentos. As frases a seguir, marcaram o congresso:
“O bom som nos da o direito de não ouvi-lo quando não queremos” Prof. José Ajax
"O ruído é um contaminante, não tem cor, nem cheiro e não deixa rastros" Professora. Dinara
"Quanto barulho é preciso fazer para impor silêncio ao barulho" Hélio Rola
"Em vez de requalificar o urbano vamos requalificar o humano" Arquiteto Ricardo Bezerra
"O progresso esta sempre a dois passos do cadáver" Hélio Rola
"A tecnologia vai fazendo uma seleção social"
Hélio Rola

domingo, 8 de julho de 2012

SALÃO DE FESTAS EM CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS - UM PROBLEMA?

O PROBLEMA
Uma situação que vem se tornando comum em nossa cidade é o conflito entre os moradores de condomínios e o seu salão de festas. O conflito normalmente se origina devido os seguintes fatores:

1. Falta de educação dos usuários quanto ao uso do equipamento.
2. Falta de adequação acústica adequada em relação ao equipamento.
3. Localização mal planejada dentro do lay out do condomínio.
4. Falta de normatização para uso dentro das diretrizes do condomínio.

Em visita a alguns condomínios onde moradores me relataram uma insatisfação quanto ao uso destes equipamentos verifiquei que o problema se projeta principalmente em cima de três das situações citadas: mau uso do equipamento com níveis que em alguns casos superam os 100 dB(A), falta total de adequação acústica nas salas ou espaços e a incrível falta de percepção do projetista em relação a localização do equipamento.
Em um dos casos visitados, o salão de festa se localiza imediatamente abaixo de um apartamento e sua área anexa contorna boa parte do mesmo.




Passei a realizar diversas medições em vários condomínios onde conheço pessoas que enfrentam problemas com salão de festas [Aldeota (C1), Cidade dos Funcionários (C2), Ellery (C3) e Fátima (C4)]. Medições realizadas durante os eventos festivos e em um evento e com o sonômetro colocado em um dos quartos do apartamento (Bairro de Fátima), verifiquei os seguintes valores:



Em outro momento realizei medições sem evento e com o sonômetro também colocado em um dos quartos do apartamento, verifiquei os seguintes valores:


Obs. Somente uma proprietária autorizou a divulgação de fotos do local (Ellery), os demais não autorizaram a divulgação do endereço completo do local com receio em relação a alguns moradores que rotineiramente realizam festas.

O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO

Em Fortaleza, a legislação apresenta diversos dispositivos que podem ajudar no controle deste problema e que são esquecidos pelos órgãos que tem a obrigação legal de gerenciar essa situação. Muitas delas inclusive projetam a solução do problema mesmo antes da construção dos condomínios:

I – Lei 5530/81 (Código de Obras e Postura do Município)

Art. 148 - Serão consideradas as seguintes características técnicas dos elementos construtivos, conforme a qualidade e quantidade dos materiais ou conjunto de materiais, a integração dos seus componentes, bem como as condições de sua utilização:

III - Isolamento acústico - avaliado pela capacidade do elemento construtivo de atenuar ou reduzir transmissão de ruídos;
IV - Condicionamento acústico - avaliado pela capacidade do elemento construtivo de absorver os ruídos, com base no tempo de reverberação;

Art. 152 - As paredes externas, bem como todas as que separem unidades autônomas de nas edificações, ainda que não componham sua estrutura, deverão obrigatoriamente observar, no mínimo, as normas técnicas oficiais relativas à resistência ao fogo, isolamento térmico, isolamento e condicionamento acústico, resistência e impermeabilidade, correspondente a uma parede de alvenaria de tijolos comuns, revestida com argamassa, com espessura acabada de 0,15m.


Art. 156 - Os pavimentos que separam verticalmente os andares de uma edificação, ainda que não sejam estruturais, deverão obrigatoriamente observar os índices técnicos de resistência ao fogo, isolamento térmico, isolamento e condicionamento acústico, resistência e impermeabilidade correspondentes aos de um pavimento de laje de concreto armado, com espessura final de 0,10m, acabada na face superior com piso de tacos de madeira e revestida, na face inferior, com argamassa.

Art. 158 - As aberturas dos compartimentos, de acordo com sua destinação, serão providas de portas ou janelas que deverão obrigatoriamente satisfazer, no mínimo, as normas técnicas oficiais, no que diz respeito à resistência ao fogo, nos casos exigidos, e isolamento térmico, isolamento e condicionamento acústico, resistência e impermeabilidade correspondentes aos do caixilho de madeira, com espessura de 0,25m, suportando placas de vidro de espessura correspondente ao tamanho e submetidas à pressão do vento de 80kg/m², produzida à velocidade de 90km/h.


Art. 196 - As instalações e os equipamentos das edificações serão projetados, calculados e executados tendo em vista a segurança, a higiene e o conforto dos usuários, de acordo com as normas técnicas oficiais vigentes.

Art. 353 - As edificações para locais de reuniões são as que se destinam à prática de atos de natureza esportiva, recreativa, social, cultural ou religiosa e que, para tanto, comportem reunião de pessoas.

Art. 354 - Conforme as características e finalidades das atividades, os locais de reuniões de que trata o artigo anterior poderão ser:
1. Esportivas;
2. Recreativas e Sociais;
3. Culturais;
4. Religiosas.

Art. 355 - Os locais de reuniões, principalmente quando situados em andares superiores ou inferiores ao nível do solo, nos casos permitidos, deverão observar rigorosamente as normas de segurança estabelecidas no Capítulo XIII desta Lei, em especial as exigências de acesso, circulação e escoamento das pessoas, bem como as normas construtivas constantes do Capítulo XVIII, da presente Lei, em especial quanto à estrutura de concreto armado ou similar, resistência ao fogo e isolamento térmico e acústico.

Art. 625 - A emissão de sons e ruídos, em decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda, obedecerá, no interesse da saúde, da segurança e do sossego público, nos padrões, critérios e diretrizes estabelecidos nesta Lei e nas normas oficiais vigentes.

Art. 626 - Consideram-se prejudiciais à saúde, à segurança e ao sossego público, para os fins do artigo anterior, os sons e ruídos que:

a) atinja no ambiente exterior do recinto em que têm origem, nível de som de mais de 10 (dez) decibéis - (dB) (A), acima do ruído de fundo existente no local, sem tráfego;
b) independentemente do ruído de fundo, atinjam no ambiente exterior do recinto em que tem origem, mais de 70 (setenta) decibéis durante o dia, e 60 (sessenta) decibéis - (dB) (A), durante a noite;
c) alcancem, no interior do recinto em que são produzidos, níveis de som superiores aos considerados aceitáveis pela Norma NB - 95, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, ou das que lhe sucederem.

II-LEI 8097/97 - Dispõe sobre medidas de combate a poluição sonora

Art. 3o. - O nível máximo de som permitido a alto falantes, rádios, orquestras, instrumentos isolados, bandas, aparelhos ou utensílios sonoros de qualquer natureza usados em residências, estabelecimentos comerciais e de diversões públicas, festivais esportivos, comemorações e atividades congêneres passa a ser de setenta decibéis na escala de compensação A(70dBA) no período diurno de 6:00 às 22:00hs, medidos a 2,0m dos limites do imóvel onde se encontra a fonte emissora. No horário, noturno compreendido entre 22:00 e 6:00h, o nível máximo de som é de sessenta decibéis na escala de compensação A(60dBA), medidos a 2,0m dos limites do imóvel onde se encontrar a fonte emissora, sendo o nível máximo de 55dBA, medidos dentro do limite do imóvel onde dá o incômodo.


O QUE JÁ É FEITO

Em alguns condomínios (principalmente de alto luxo) cuidados foram tomados em relação a localização e ao condicionamento acústico, em outros alguns avisos são colocados tentando conscientizar os usuários deste tipo de equipamentos, mas sem as ferramentas e procedimentos reais de controle e outros procuram corrigir o problema contratando técnicos para avaliar o caso e proceder modificações.


O QUE FALTA FAZER

Com a crescente incidência do problema e com os complicadores sociais e de saúde inerentes ao caso, que normalmente já vem resultando em um uso crescente dos Juizados Especiais por moradores que buscam a tranqüilidade necessária durante o período de descanso, principalmente no final de semana, seria necessário que a SEMAM (caso específico de Fortaleza), passasse a observar os aspectos legais citados, durante a avaliação dos projetos que é feita pelo setor de análise de projetos e que passasse a exigir dos profissionais que projetam estas edificações, os cuidados necessários exigidos pela legislação para estas situações. A SEMAM já conta com um setor específico que analisa as condições acústicas de estabelecimentos comerciais que realizam ou irão realizar eventos com uso de equipamentos sonoros e que deveria também atuar nesta área residencial, avaliando os projetos que projetem o uso de salão de festas, auxiliando assim o setor de análise de projeto que não possui treinamento adequado para tal.
Quando trabalhei na coordenação da ECPS (Equipe de Controle da Poluição Sonora), estabeleci em conjunto com o então secretário Deodato Ramalho, as normas e procedimentos de avaliação dos estabelecimentos comerciais que existem hoje e a idéia era evoluir ano a ano para abranger todas as situações inerentes ao ruído, inclusive esta. Hoje na chefia da fiscalização da SER V, desenvolvo treinamento aos fiscais que vistoriam a liberação dos habite-se na área de nossa competência, para que a legislação seja cobrada em relação a esta e outras situações, mas sou largamente questionado pelos responsáveis pelas obras devido os projetos terem sido aprovados e este tipo de cobrança não ter sido feita durante a análise de projeto da SEMAM.
Além dos aspectos acima, outro cuidado seria importante no auxilio deste e de outros problemas relativos à poluição sonora principalmente na fase de projeto: a inclusão de uma forma mais ampla do tema no currículo das faculdades de Arquitetura, pois hoje é apenas pontual o aporte ao assunto.

sábado, 28 de abril de 2012

CEARÁ VOLTA A PARTICIPAR DO INAD EM 2012

Após as boas participações em 2009 e 2010, Fortaleza voltou a fazer parte do mapa do INAD no Brasil em 2012 e para reforçar a presença do Ceará, Carnaubal e Juazeiro do Norte, também mostraram preocupação com o problema. Este ano o INAD teve como tema: “BEM ESTAR GARANTIDO É BEM ESTAR SEM RUÍDO”

Como vem acontecendo anualmente, o objetivo da campanha é conscientizar a população brasileira sobre o ruído e seus efeitos. Isso inclui conscientização sobre os efeitos do ruído na saúde, na qualidade de vida, no meio ambiente, bem como a conscientização sobre a responsabilidade de cada um em reduzir o ruído gerado pelas atividades diárias. O INAD sempre ocorre na última quarta feira do mês de abril e é um movimento iniciado a 15 anos nos Estados Unidos e que vem sendo adotado por vários outros países e no Brasil é coordenado por Stephan Paul, professor do Curso de Engenharia Acústica da Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul.

http://inadbrasil.org/

Em Fortaleza uma equipe de fiscais da Regional 5 formada por Daniela, Andréa, Wanessa, Monaliza e Sâmya, .............
...... atendendo a um pedido do coordenador estadual (Aurélio Brito), assumiu dedicadamente a tarefa de organizar o evento em Fortaleza e, contando com a participação da CPMA (Companhia de Policiamento Militar Ambiental) e do RONDA, através da Turminha do Ronda, programaram e realizaram as seguintes tarefas no dia 25/04/2012:
• Apresentação do evento pelo Coordenador Estadual através de entrevista na televisão (TV Verdes Mares), no Bom Dia Ceará e distribuição de folders na Praça do Ferreira.
LINK:
http://youtube.com/watch?v=efs9rRicNoc&feature=youtu.be

• Evento no Terminal do Siqueira, com distribuição de folders da campanha, apresentação da Turminha do RONDA com fantoches simulando situações relativas a poluição sonora e balcão da Ouvidoria da SER V, recebendo reclamações da população. Evento que teve a divulgação pela TV Jangadeiro.

LINK:
http://www.youtube.com/watch?v=vFhqJnvD688&feature=colike


• Palestra do Major Marcos Costa, comandante da CPMA, na Escola Evandro Aires de Moura para 400 alunos, explicando o evento, sua importância e abordando o tema poluição sonora e distribuição de folders do evento para todos os alunos do período da manhã.

• Apresentação da Turminha do RONDA, para os alunos do período da tarde, distribuição de folders e jogos educativos com tema ambiental.

• Realização do minuto de silêncio proposto pela campanha.
• Distribuição de folders explicando o evento em alguns dos principais cruzamentos da SER V.

Em Juazeiro do Norte, a Tenente Pâmela Landim da CPMA com seus comandados, realizou as seguintes atividades:
• Divulgação do evento no canal de TV local (Globo Cariri).
• Blitz Educativa com distribuição de material instrucional na Avenida Padre Cícero.
• Distribuição de folders e conscientização aos transeuntes e comércio local, principalmente no acesso ao Shopping Cariri.
• Blitz educativa e abordagens na área comercial, sobre a emissão sonora abusiva dos comerciantes localizados na área central.

Em Carnaubal, as diretoras de supervisão da Secretaria de Educação Tânia Isidório e Maria da Gloria, com autorização do Secretário Hélio Martins, incluíram o tema POLUIÇÃO SONORA, para as turmas do 6º ao 9º ano durante todo o mês de março, resultando em trabalhos produzidos pelos alunos, barraca de divulgação e debate na Rádio e no dia do evento a Rádio local citou o evento e campanha da SEDUCAR.

Foram entregues 3000 folders, 1000 marca textos com tema do INAD, nas 3 cidades, afixados 100 cartazes, reportagens em TVs, matéria em jornal, entrevista em rádio, atingindo um público muito grande para a divulgação do tema do evento.

domingo, 4 de março de 2012

TINNITUS - O intenso zumbido no ouvido

Abaixo transcrevo uma entrevista dada pela Professora Dra. Karin Schorn, titular da cadeira de Otorrinolaringologia da Universidade de Grosshadern de Munique na Alemanha, sobre um grave problema da atualidade: o TINNITUS, que é um som parecido com campainhas no ouvido e outros barulhos dentro da cabeça que são percebidos na ausência de qualquer fonte de barulho externa.

A entrevista foi publicada no Magazine alemão BUNTE e coincidem com o trabalho publicado pelo Dr Joseph Bradfield publicado no jornal da American Tinnitus Association.

• Se durante uma festa com a música um pouco alta, muitas vezes fico com um zumbido nos ouvidos, isto é Tinnitus?

Dra. Karin - De certa maneira sim, no mínimo é um alarme que você deveria levar a sério.
• O que de fato se designa como Tinnitus ?
Dra. Karin - A pessoa afetada reporta escutar uma zoeira na cabeça, com os mais diversos sons, campainha, sino, cachoeira, cigarra etc. Estes ruídos são conhecidos como tinnitus.
• Se ruído provoca tinnitus, significa que os meus filhos quando freqüentam discotecas e afins estão correndo riscos ?
Dra. Karin - Só posso dizer que sim, o ruído prejudica o ouvido interno, e muitos jovens após um concerto Pop ou terem freqüentado uma discoteca reportam zoeira. Naturalmente que uma sobre carga sonora também pode acontecer no local de trabalho, como numa Obra por exemplo.
• Mas nem todos freqüentadores e trabalhadores desenvolvem o tinnitus?
Dra. Karin - Certamente que não, isto depende da intensidade do ruído, do tempo de exposição, da freqüência, e ainda da sensibilidade do ouvido interno de cada um. Na maioria, a zoeira é temporária, mas pode durar dias, ou tornar-se permanente e neste caso deve ser procurado um médico para tratamento.
• Estes enervantes ruídos internos são percebidos somente pela própria pessoa atingida ?
Dra. Karin - Encontramos pacientes, alias raros, nas quais o ruído podia ser escutado externamente. Na maioria das vezes são percebidos somente pela pessoa. Quando os ruídos atingem este nível trata-se da chamada Emissão Otoacústica, são na realidade emissões sonoras que saíam do ouvido, mas que não mantém nenhuma relação com o Tinnitus clássico. Estas emissões também estão presentes nos animais, um dia destes o dono de um Cão me procurou, dizendo que não conseguia dormir, porque o seu cão apitava pelas orelhas.
• Como se podem comprovar os ruídos do tinnitus ?
Dra. Karin - Primeiro deixamos que o paciente faça uma descrição do que diz ouvir, depois, por meio de um fone de ouvido lhe passamos o exemplo de alguns ruídos, para que possa caracterizar melhor o seu tinnitus. Quando determinamos a freqüência, podemos lhe enviar um ruído que se sobreponha ao tinnitus, provocando um chamado mascaramento, e assim também determinamos a intensidade do tinnitus.
• Quem esta exposto ao tinnitus alem das pessoas submetidas a ruídos intensos ?
Dra. Karin - Fundamentalmente qualquer pessoa pode se atingida, idoso ou jovem, mulheres e homens. O maior índice é conseqüência de enfermidades ligadas ao ouvido médio, ouvido interno, ou do sistema nervoso central, onde os sinais são processados. Mas também muitos outros fatores físicos e psíquicos podem influir.
• Quais por exemplo ?
Dra. Karin - Inflamação do ouvido médio nas crianças, Perda auditiva por doença das meninges ( meningite ), Tumor cerebral, diabetes, e muito importante, problemas na área da coluna cervical. Alias o tinnitus, também pode ser provocado por alguns medicamentos. Os pertencentes aos grupos dos diuréticos, antibióticos, cardíacos, e de combate ao câncer.
• Estas são doenças muito diversas, porque elas podem contribuir para o tinnitus?
Dra. Karin - Porque todas podem contribuir à um deficiência de irrigação sangüínea das pequeníssimas células ciliares, responsáveis pela transformação dos sinais auditivos para o sistema nervoso.
• O Estresse pode conduzir ao tinnitus ?
Dra. Karin - Sempre se tem reportado sobre esta conexão, Estresse e Tinnitus. De fato sobrecargas e exigências em excesso, podem pela via indireta, conduzir a um tinnitus. Hoje, nós já podemos falar sobre um tipo de portador de tinnitus. Ele é introvertido, extremamente sensível, estressado, tem tendência a pressão baixa, assim como um retesamento da coluna cervical.
• A zoeira nos ouvidos não são muitas vezes frutos da Imaginação ?
Dra. Karin - Não, o tinnitus não é fruto de imaginação, e o paciente de fato escuta este ruído.
• O Tinnitus pode causar surdez ?
Dra. Karin - Não, o contrario sim é possível, uma falta de irrigação sangüínea e outras enfermidades podem causar uma deficiência auditiva, e nos casos piores pode levar a uma surdez, aqui o tinnitus é apenas um coadjuvante que acompanha o problema.
• E o que o médico pode fazer ?
Dra. Karin - Se o tinnitus estiver numa fase muito aguda, podemos recorrer a uma infusão a base de cortisona, temos tido alguns bons sucessos. O próximo passo é pesquisar a origem do tinnitus, enfermidades como inflamação do ouvido médio, problemas da coluna cervical, a possibilidades de um tumor na região do nervo auditivo. Se uma destas ou outras enfermidades foram identificadas como causadoras, devemos passar a terapêutica correspondente.
• E se não forem encontradas outras enfermidades, e a cortisona também não ajudar ?
Dra. Karin - Nestes casos, procuramos fazer com que o tinnitus seja suportado pelo paciente da melhor maneira possível.
A solução mais elegante para mim, é fazer o paciente se desconcentrar do ruído, o que pode ser alcançado por um treinamento autógeno. Para pacientes mais jovens, recomendo adicionalmente a pratica de um esporte asiático como o Taekwondo ou Tai Chi, pois aqui são ministrados ensinamentos de meditação, onde a vontade se sobrepõe ao corpo. Existem algumas clinicas especializadas em tinnitus, que oferecem um acompanhamento psicológico e de Musiterapia por exemplo.
• E quais tem sido os resultados alcançados ?
Dra. Karin - Isto depende muito da aceitação por parte do paciente de uma psicoterapia, da sua capacidade de concentração, necessário para o treinamento autógeno. Aqui o paciente aprende algo sobre as funções do organismo, relaxamento muscular, temperatura cutânea e irrigação, influindo através de técnicas especiais sobre o seu corpo. O paciente aprende a lidar conscientemente com o seu tinnitus, para modifica-lo, reduzi-lo, ou simplesmente ignora-lo.
• O que a Sra. acha do tratamento Hyperbárico ?
Dra. Karin - Na nossa Clinica "Grosshadern" aqui em Munique, não obtivemos bons resultados. Em outras clinicas tem sido usada alternativamente com a terapia por infusão de cortisona.
• E outros métodos de tratamento como a Ginkgo-Laser ou Apuncultura ?
Dra. Karin - O tratamento Ginkgo-Laser foi por nós examinado em quatro estudos independentes, em nenhum dos pacientes o tinnitus apresentou uma melhora. A acupuntura ao contrario, eu a considero válida como tratamento complementar, nos casos mais graves, em particular nos casos de contrações e terapias por infusão. Importante é que a acupuntura seja executada por um expert no assunto.
• Que auxílio existe para o paciente no seu quotidiano ?
Dra. Karin - Podemos colocar no paciente os chamados mascaradores, que são aparelhos que imitam o tinnitus apresentado, se sobrepondo ao tinnitus do paciente. Este ruído artificial é reportado como sendo menos incomodo que o tinnitus. ( N.T. Os fabricantes, em sua maioria deixaram de produzir estes aparelhos, porque a cada modificação do estado do Paciente, pela ingestão de um medicamente por exemplo, muda a conformação do tinnitus no que tange a freqüência / intensidade e o aparelho tinha que ser readaptado) Uma outra solução com excelentes possibilidades de êxito é a adaptação de um aparelho auditivo. A maioria dos pacientes com tinnitus, tem em algum grau, maior ou menor, uma deficiência auditiva. No tratamento desta deficiência temos uma excelente oportunidade de atuar sobre o tinnitus, havendo uma melhora sensível em relação a sua tolerância. Para a maioria dos pacientes a fase critica da perturbação do tinnitus é a do pré-sono. Para desviar a concentração do paciente nesta fase, pode ajudar a presença de uma musica suave, o borbulhar da água num aquário próximo, e até um daqueles despertadores antigos com o seu tic-tac alto, tem contribuído para a desconcentração.
• Pacientes portadores de Tinnitus podem voar, ou o seu problema se acentua com a mudança de pressão ?
Dra. Karin - Em princípio os pacientes podem fazer viagens aéreas, a única exceção é quando estão resfriados e sofrerem a obstrução do tubo de eustáquio, neste caso a pressão pode intensificar o tinnitus.

O TINNITUS atinge hoje 1 em cada 5 pessoas de acordo com pesquisa feita nos Estados Unidos, fruto de uma sociedade que a cada dia fica mais barulhenta e desta forma provoca exposição excessiva à ruídos tais como: armas, artilharia, aeronaves, cortadores de grama, cinemas, shows, boates , construção pesada, etc, que podem causar danos auditivos permanente. Algumas pessoas informam fadiga auditiva ao dirigirem automóveis por longas distâncias com as janelas abertas. O dano pode ser o resultado de uma única exposição ou de trauma cumulativo. Há "Ouvidos sensíveis", e "resistentes"; o que pode gerar dano a um indivíduo, pode não causar dano a outro. Se você sempre experiência zumbidos temporários depois de uma exposição a sons VOCÊ ESTÁ TENDO UM SËRIO RISCO DE TER TINNITUS E/OU PERDA AUDITIVA. Se você já tiver Tinnitus, eduque sua família, amigos, e vizinhos de forma que eles possam manter a audição deles saudável.
Qualquer pessoa regularmente exposta deveria considerar o uso de EarPlugs ou outro tipo de proteção auditiva. Usar earplugs é uma maneira de proteger sua audição contra lesões, bem como permitir que sua audição descanse sem estímulos externos. A faixa de atenuação pode variar conforme a freqüências: assim, se você é um músico ou técnico de som, você pode querer comparar preços de um earplug com resposta frequencial plana. Os dispositivos de proteção auditiva disponíveis no mercado tem seu Fatores de Redução de Ruído (NRRs) especificados pelos próprios fabricantes em condições ideais de laboratório e podem não refletir o desempenho real em situações do dia a dia. A maioria dos earplugs obtém uma média de 20dB de redução de ruído. Uma redução máxima de ruído (aproximadamente 50dB NRR) pode ser alcançado usando Earplugs em combinação com abafadores tipo concha, mas mesmo assim *algum* ruído será percebido por condução dos ossos do crânio em situações de volume extremamente altas. Os seguintes tipos de dispositivos de proteção auditiva estão disponíveis:
•Earplugs moldáveis
Os moldáveis podem ser feitos em espuma, silicone, e cera e se ajustam ao canal auditivo. Por se ajustarem à forma do canal auditivo, estes são os melhores dispositivos de proteção de audição disponível hoje em dia, com NRRs que variam de 15-33dB. Com a vantagem de serem baratos, são facilmente encontrados em farmácias e lojas de material esportivo, e é reutilizável.
•Earplugs Pessoais (Sob encomenda)
Este tipo de Earplug são feitos a partir de um molde tirado do canal auditivo do paciente isto deve ser feito por um profissional habilitado. O fator de redução de ruído obtido, varia de 27-29dB NRR, com o custo médio de US$ 30-70 nos Estados Unidos. (nota do tradutor: no Brasil ele é feito em empresas de aparelhos auditivos)
•Earplugs com Filtro para Músicos
São uma variação dos Earplugs pessoais. que oferecem uma atenuação linear em uma larga faixa do espectro de freqüências. A atenuação sonora varia de 15-20dB NRR, e o custo médio é de US$ 50-150 nos EUA.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

EVOLUÇÃO E ATRASO NO TRATO DOS PROBLEMAS DE RUÍDO

Recentemente participei de um seminário sobre REABILITAÇÃO ACÚSTICA NAS EDIFICAÇÕES em Cáceres na Espanha e logo depois participei do encontro anual da SOBRAC em São Paulo. Nestes eventos pude perceber a distância que ainda temos que percorrer para encontrar o equilíbrio em relação aos problemas de ruído em Fortaleza.

Na Espanha o seminário foi promovido pelo Ministério do Formento, pela SEA (Sociedade Espanhola de Acústica) e AECOR (Associação Espanhola para a Qualidade Acústica) e o tema principal foi a apresentação do DOCUMENTO BÁSICO DE PROTEÇÃO CONTRA O RUÍDO, constante no Código Técnico da Edificação, existente desde abril de 2009.

No seminário o objetivo foi apresentar as alterações permitidas na reabilitação de edifícios para melhorar seu conforto acústico, levando em conta os pontos de vista de governo, agências e técnicos envolvidos e no setor da construção.

O documento exige um amplo estudo sobre o estado inicial da edificação e suas caracteristicas como uso e valor patrimonial, as condições socio-econômicas e funcional, estudo da legislação, viabilidade técnica, soluções aplicadas com o nível de intervenção, etc. Ou seja, é um nível de preocupação mais refinado com a qualidade de vida.

Percebi também o completo envolvimento do governo espanhol com o problema.

Abaixo links para maiores informações:

http://www.codigotecnico.org/web/cte/presentacion/
http://www.codigotecnico.org/cte/export/sites/default/web/galerias/archivos/HR_comentado.pdf
http://www.codigotecnico.org/cte/opencms/web/galerias/archivos/CAT-EC-v06.3_marzo_10.pdf

Já em São Paulo, tive a oportunidade de assistir a apresentação do Eng. Maurício Bernardes da empresa Tecnisa, que teve como tema a “EXPERIÊNCIA DA TECNISA NA ANÁLISE, VERIFICAÇÃO E CUMPRIMENTO DA NORMA DE DESEMPENHO ABNT NBR 15.575.

Na apresentação o engenheiro descreveu a preocupação da empresa com a qualidade de suas edificações e a adequação das mesmas às normas da ABNT, buscando um diferencial que hoje já é exigido pelos consumidores, fato mostrando com perguntas especificas de clientes que o engenheiro nos transcreveu:

1. Quais os níveis de decibéis que teremos no projeto Acqua Play?
2. Quais os níveis de decibéis padronizados?
3. Quais tipos de materiais serão utilizados nas paredes e piso entre os apartamentos?

Percebendo isso a empresa melhorou seus procedimentos e passou a projetar suas edificações com novos parâmetros de conforto e eficiência.

Os produtos empregados passaram a ter avaliações rigorosas e comparativas em todos os aspectos da edificação, sempre buscando o desempenho que o cliente contemporâneo busca.

Janelas, pisos, portas, elevadores, exaustores de churrasqueiras, equipamentos de piscinas, garagens e tubulações de banheiros são criteriosamentes avaliados e recebem o tratamento acústico mais adequado.





Este comportamento da construtora, levou os fabricantes de materiais a estudar o desempenho de seus produtos, trouxe satisfação de seus clientes, diferencial a empresa que ja traça novos objetivos:

• Desenvolver visão holística para analisar a aplicabilidade de soluções com base em custos globais: (desempenho, facilidade de manutenção, custo de manutenção, vida útil, etc);
• Modelos capazes de estimar desempenho de sistemas ao longo do tempo, em função das nossas condições de uso, manutenção e exposição
• Modelos capazes de estimar vida útil para os nossos sistemas

Esta parece ser uma luz no fim do túnel em relação a mentalidade dos empresários no tocante a aceitação e aplicação da normatização existente no Brasil. Em outras palestras, percebemos melhorias nos sistemas de fiscalização em algumas cidades do Brasil (São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Londrina), buscando mais rigor no cumprimento da lei.

Já em Fortaleza, ainda nos encontramos longe de um nível mínimo aceitável em relação a qualidade nas edificações em relação ao conforto acústico, pois o que vejo são soluções pontuais que acompanhei de algumas construtoras locais, que testam soluções para piso devido reclamações oriundas de clientes, mas com viés em relação aos custos e não de desempenho, resultando em prédios residenciais que tornam o convívio social e comunitário inerente as edificações multifamiliares, um transtorno.

Cinemas, que misturam sons de outras salas, poucos cuidados com o desenvolvimento das obras, causando enormes transtornos aos vizinhos, não existindo salas especificas para cortes de madeiras, concretagens em período noturno, etc.

Em Fortaleza, salvando-se o empenho da SEMAM que vem num crescente em relação a sua estrutura de fiscalização, não existem procedimentos sérios na aprovação de projetos habitacionais quanto ao seu condicionamento acústico, apesar da legislação existente sobre o assunto, mas como alento já existe uma cobrança em relação aos estabelecimentos comerciais que utilizam som, pois atendendo a lei 8097/97, a SEMAM já estabelece certo controle.

Quanto a SEMACE (órgão estadual), existe um completo descaso em relação aos temas relativos à RUÍDO. Aqui os empreendedores a nível estadual não precisam se preocupar com este tema, pois a SEMACE não exige estudos e é totalmente omissa. Como exemplo, basta citar o caso dos parques eólicos que não precisam apresentar estudos relativos ao impacto do ruído e vibrações proveniente de seu funcionamento. Na Europa as exigências e os cuidados com as freqüências de ruído e vibrações provenientes das operações dos parques eólicos são muito rígidas e cuidados específicos na instalação dos parques são exigidos. Estudos através de mapas de ruído e através do AM Test Method são necessários para o caso, pois altos níveis de AM podem levar a queixas dos vizinhos destes parques, além da fauna que é fortemente impactada. Outro exemplo é o funcionamento do Aeroporto de Fortaleza, onde as autorizações são liberadas quase que automaticamente, talvez respaldado em um relatório tendencioso contratado pela INFRAERO que vislumbra somente os aspectos legais de interesse da mesma e que não avalia as demais legislações que protegem o meio ambiente e o conforto e bem estar da comunidade, fato que se verificou recentemente atavés de procedimento do Ministério Público Federal, onde a INFRAERO local direcionou seu relatório (feito pela UFRJ) aos seus interesses de funcionamento.

Evidentemente não sou contra os Parques Eólicos e nem contra o Aeroporto, são bens úteis à comunidade e devem existir, mas cuidados em relação ao funcionamento e implantação dos mesmos devem ser alvos de estudos e atenção pelas autoridades responsáveis.

Sonho com o dia em que as autoridades seguirão as leis com o rigor necessário e que a população não seja punida com este descaso.

Obs.-Este tema relativo aos parques eólicos no Ceará será tema de uma próxima postagem no blog.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O BARULHO TAMBÉM MATA!

No intuito de continuar a divulgar os problemas causados pela POLUIÇÃO SONORA,transcrevo abaixo o texto de Nelson Valente (Professor universitário, jornalista e escritor, vinculado por Milton Jung, jornalista da Rádio CBN.

"Na antiguidade, os gregos indignados puseram os barulhentos ferreiros para fora das cidades. Hoje, qualquer um tem seu aparelho portátil ou estrondoso som.
O barulho também mata. Embora não pareça, o barulho é uma das principais causas de morte no mundo todo, segundo OMS. Calcula-se que milhares de pessoas morrem anualmente vítimas deste problema. A música, a palavra e a voz consomem grande parte de nossas vidas. Um mundo sem som seria triste, mas seu excesso também não é agradável.
Tudo deve estar na medida certa: assim é o que determina a Organização Mundial da Saúde (OMS), que acaba de elaborar um relatório sobre a poluição acústica denunciando o aumento no número de mortes provocadas pelo barulho ao longo do planeta.
Mas o barulho também nos traz toda uma série de males à nossa vida cotidiana, entre os quais se destacam a perda de capacidade auditiva, insônia, estresse, falta de concentração, problemas cardiovasculares, depressão e até impotência sexual ou problemas no feto das mulheres grávidas.
A OMS adverte que a América Latina está cada vez mais exposta ao barulho. Os altos níveis de barulho também são um problema para as grandes metrópoles no Brasil.

Segundo o Médico Neurofisiologista, Fernando Pimentel Souza, membro do Instituto de Pesquisa do Cérebro, UNESCO, Paris, anualmente são perdidos mais de 600.000 anos potenciais de vida sadia por culpa de doenças envolvendo o excesso de barulho. Além disso, a mania dos brasileiros mais jovens de ouvir música alta faz com que quase 2% dos habitantes entre sete e 19 anos já tenham perdido parte de sua capacidade auditiva. Mas o barulho também está por trás dos graves distúrbios do sono que afetam 2% dos paulistanos e de 3% dos casos de tinnitus – um fenômeno de personalidade perceptiva caracterizado por contínuos assobios nos ouvidos – que afetam aos cidadãos brasileiros que vivem nas grandes cidades.
Com isso, é preciso tomar consciência sobre o assunto e denunciar todos aqueles que infringem a lei e colocam em risco a nossa saúde. Em São Paulo, a poluição sonora e o estresse auditivo são a terceira causa de maior incidência de doenças do trabalho, só atrás das devido a agrotóxicos e doenças articulares. Inúmeros trabalhadores vêm-se prejudicados no sono e às voltas com fadiga, redução de produtividade, aumento dos acidentes e de consultas médicas, falta ao trabalho e problemas de relacionamento social e familiar. A poluição química do ar, da água e da terra deixa muitos traços visíveis de contaminação. Muitas doenças e mortes devido a alterações do meio podem ser identificadas por qualquer pessoa. Mas, a poluição sonora, mesmo em níveis exagerados, produz efeitos imediatos moderados. Seus efeitos mais graves vão se implantando com o tempo, como a surdez, que não tarda a se acompanhar às vezes de desesperadores desequilíbrios psíquicos e de doenças físicas degenerativas.
Pelo nível de ruído das nossas cidades e casas, a maioria dos habitantes deve estar sob estresse prolongado, surgindo ou agravando arterioscleroses, problemas de coração e de doenças infecciosas, fazendo inúteis dietas e acabando precocemente com suas vidas. A ativação permanente do sistema nervoso simpático do morador da metrópole pode condicionar negativamente a sua atuação com as agressões. Estamos no limite.
Muitas pessoas procuram se livrar dessa reação, por tornar-se desagradável, usando drogas (tranqüilizantes ou cigarro) para bloqueá-la. O nível de ruído em nosso ambiente urbano está quase sempre acima dos limites do equilíbrio, e abre caminho para estresses crônicos.

Certas áreas do cérebro acabam perdendo a sensibilidade a neurotransmissores, rompendo o delicado mecanismo de controle hormonal. Esse processo aparece também no envelhecimento normal e ataca os mais jovens, que se tornam prematuramente velhos num ambiente estressante.
Os efeitos no sono não são menos importantes pela sua nobre função. Os países avançados, ao contrário, mantêm o controle da poluição sonora para não prejudicar as atividades psicológicas, mental e física, e seus habitantes, beneficiados, atingiram um nível mais refinado. Mesmo assim esse tipo de poluição subiu para a segunda prioridade ecológica para a próxima década, pela Organização Mundial de Saúde.
O Brasil não deveria permitir tantos danos da poluição sonora nos insuficientes esforços na educação e saúde. Alguma coisa deveria ser feita nas nossas cidades excessivamente barulhentas, hoje com quase 80% da população. As providências seriam: seguir a lei e melhorá-la, diminuir poluição das fontes ruidoras (veículos automotores, aparelhos industriais e eletrodomésticos,etc.).

É necessário reeducar as pessoas a viver em comunidade, porque, a nação, se não é capaz de reparar os danos da poluição sonora, poderia pelo menos preveni-los.

No Brasil, apesar de ter normas para evitar o barulho prejudicial, sejam elas severas ou não, quase ninguém as cumpre, e o problema persiste na maioria dos espaços públicos das metrópoles. Música alta, construções, tráfego de veículos, ofertas de produtos de lojas através de alto-falantes e até a pregação religiosa – que costuma contar com potentes equipamentos de som - fazem parte do panorama em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo. Brasília, Blumenau, Curitiba, Fortaleza, etc."

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